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Ficção ou fricção?

Se “o poeta é um fingidor”, como disse Fernando Pessoa no poema Autopsicografia, todo escritor é um grande mentiroso.

Senão, que vá escrever artigos de jornal, biografia, memória. Ou ata de reunião de condomínio.

Então, por mais que você queira ser fiel à realidade, exercite ao máximo sua capacidade de recriá-la, inventando  sempre novas possibilidades.

Diz-se que Romeu e Julieta existiram realmente e Shakespeare transformou o caso em literatura. Que Don Quixote era uma história de cavalaria contada boca a boca e Cervantes escreveu o romance baseado nela.

Claro que ambos deram o toque mágico que fez com que fatos da vida real virassem obras de arte da literatura, provavelmente criando em cima dos mesmos detalhes fantásticos das respectivas tramas e peripécias.

Recentemente, no Brasil, Rubem Fonseca vem escrevendo contos baseados em fatos reais ocorridos no Rio. Mas sempre com um tempero próprio, com sua capacidade de carregar nas tintas.

Muitos escritores fazem isso. E há os que, não satisfeitos com a verossimilhança, inventam histórias e tentam dar um caráter de veracidade a elas, usando até recursos de documentário e supostos registros históricos.

Na ficção, realidade e fantasia se confundem. O que importa é que o leitor acredite que aquilo que lê o fará vivenciar verdadeira e plenamente o instante da leitura. E mais: experimentar uma transformação em sua vida.

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