Ler é tudo de bom

Aí, gente boa, estou diante de um desafio: escrever um texto sobre a necessidade e o prazer de ler. Preferia falar sobre amor, viagens & rock n’roll. Ou sobre qualquer papo da hora. Todo mundo iria ler.

Mas, escrever sobre “ler” pra quem já gosta de ler é chover no molhado. O difícil é atingir o pessoal que só olha as figurinhas. (rs)

ler é tudo de bom
Photo by Luis Quintero from Pexels

Seria bacana conseguir fazer qualquer um ler, até mesmo os analfabetos. E seria melhor, ainda, fazer com que os que curtem ler gostassem tanto, que sentissem vontade de ler em voz alta para os que não soubessem. E que isso despertasse tanta curiosidade, que essas pessoas passassem a querer aprender a ler de qualquer jeito. E então começariam a ler qualquer coisa, desde blog e twitter até livrinho de autoajuda e revista de sacanagem. E depois, em surtos de inquietação intelectual, essas mesmas pessoas leriam tanto, que passariam a entender os mistérios do universo e as profundezas de si mesmas e dos outros. E, assim, de posse da chama sagrada da sabedoria, se transformariam em semideuses!

Seria maravilhoso, o mundo ficaria melhor.       

Mas num país onde pouco se lê, cujo presidente não lê e não sabe escrever (pasmem!) e despreza quem escreve e quem lê, num país como este, tão ridículo, estúpido & maravilhoso, mesmo assim merecemos a honra de ter alguns dos maiores escritores de todos os tempos. Machado de Assis, Oswald, Guimarães Rosa, Jorge Amado, Nelson Rodrigues, Vinicius, Bandeira, Érico Veríssimo, Quintana, Drummond, Caio, Leminski, Manoel de Barros, Ariano Suassuna, Gullar, Millôr e as divas Cecília e Clarice. Destes dezoito (uma seleção de ouro), todos são consagrados. No entanto, poucos sabem que temos Rubem Fonseca, Luis Fernando Verissimo, Chico Buarque, Tanussi Cardoso, Glauco Mattoso, Bráulio Tavares, Salgado Maranhão, Geraldo Carneiro, Secchin, Antonio Cicero, Marcus Vinicius Quiroga e muitos outros, vivos, menos conhecidos, fazendo boa literatura contemporânea; que hoje o Brasil é considerado um país de poetas e que a Cidade Maravilhosa é a capital da poesia; que grandes cronistas só existem aqui; que os contistas brasileiros situam-se entre os melhores do mundo; e que a nossa literatura não está apenas nos livros de Sarney, Jô Soares e Bráulio Bessa.

Como Deus é brasileiro (ops, dizem até que é carioca),

botou de tudo aqui. Fez um mix de todas as diferenças. Nos brindou com os extremos: temos do melhor e do pior. Somos vários brasis. E esta é a nossa maior riqueza. Imagine se o povo lesse: seria o paraíso! Mas isto, por enquanto, é apenas uma utopia. O melhor, mesmo, ainda é só para os raros.

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